Setembro Amarelo: a andropausa pode afetar a saúde mental do homem?
O Setembro Amarelo amplia uma conversa necessária sobre prevenção ao suicídio, acolhimento e cuidado com a saúde emocional. A campanha também representa uma oportunidade para chamar a atenção dos homens, que muitas vezes deixam de procurar ajuda por medo, vergonha ou pela ideia equivocada de que demonstrar sofrimento é sinal de fraqueza. Embora fatores sociais, emocionais e psicológicos tenham grande influência sobre a saúde mental, algumas alterações físicas e hormonais também podem interferir no humor, na energia e na qualidade de vida. Entre elas está a Deficiência Androgênica do Envelhecimento Masculino, conhecida popularmente como andropausa.
A condição está relacionada à redução gradual da testosterona e pode provocar sintomas que se confundem com estresse, esgotamento ou depressão. Por isso, mudanças persistentes no comportamento, no sono, na disposição e no interesse pelas atividades cotidianas não devem ser ignoradas.
Por que o Setembro Amarelo também precisa falar com os homens?
Os dados mostram que a saúde mental masculina merece atenção especial. De acordo com o Boletim Epidemiológico do Ministério da Saúde, o Brasil registrou 15.507 mortes por suicídio em 2021. Desse total, 77,8% ocorreram entre homens. Os números refletem um problema que vai além da saúde pública. Muitos homens ainda encontram dificuldades para reconhecer o próprio sofrimento, conversar sobre sentimentos e buscar acompanhamento profissional.
É comum que sintomas emocionais sejam escondidos ou tratados como uma fase passageira. Em alguns casos, o homem tenta lidar sozinho com o problema. Em outros, procura ajuda somente quando os sintomas já estão comprometendo o trabalho, os relacionamentos, a vida sexual ou a convivência familiar. Essa resistência também pode acontecer diante de alterações físicas.
Cansaço frequente, perda de força, diminuição da libido, dificuldades de concentração e irritabilidade são frequentemente atribuídos apenas ao envelhecimento. No entanto, esses sinais podem estar associados a diferentes condições de saúde e precisam ser investigados.
O que é a andropausa?
A palavra andropausa é muito utilizada para explicar as alterações hormonais que podem surgir durante o envelhecimento masculino. Entretanto, diferentemente do que acontece na menopausa, os homens não passam por uma interrupção hormonal repentina. O termo médico mais adequado é Deficiência Androgênica do Envelhecimento Masculino, também conhecida pela sigla DAEM. Trata-se de uma condição caracterizada pela presença de sintomas associados a níveis reduzidos de testosterona, confirmados por avaliação médica e exames laboratoriais.
Segundo a Sociedade Brasileira de Urologia, a partir dos 40 anos pode ocorrer um declínio gradual da testosterona, estimado em aproximadamente 1% ao ano. Isso não significa que todos os homens desenvolverão deficiência hormonal ou precisarão de tratamento. O diagnóstico não pode ser estabelecido apenas com base na idade ou em um sintoma isolado. É necessário analisar o estado geral de saúde, o histórico clínico, o uso de medicamentos, os hábitos de vida e os resultados dos exames.
Quais são os sintomas da deficiência de testosterona?
A testosterona costuma ser associada à libido e ao desempenho sexual, mas sua atuação no organismo é mais ampla. O hormônio participa da manutenção da massa muscular, da força física, da densidade óssea, da produção de espermatozoides e de outros processos importantes. A redução hormonal pode estar relacionada a sintomas como:
Cansaço persistente
Diminuição da libido
Alterações na qualidade das ereções
Perda de força e massa muscular
Aumento da gordura corporal
Irritabilidade
Falta de motivação
Dificuldade de concentração
Alterações no sono
Redução da sensação de bem-estar
A Sociedade Brasileira de Urologia informa que o declínio da testosterona pode estar relacionado a alterações físicas e psíquicas durante o envelhecimento. É importante destacar que esses sintomas não são exclusivos da deficiência hormonal. Depressão, ansiedade, apneia do sono, alterações da tireoide, sedentarismo, obesidade, diabetes, uso de determinados medicamentos e períodos prolongados de estresse podem produzir manifestações semelhantes. Por isso, a investigação deve considerar a saúde do homem de maneira integral.
Qual é a relação entre andropausa e saúde mental?
A testosterona não atua apenas na esfera sexual. Níveis inadequados desse hormônio podem estar associados a alterações na energia, na disposição, na capacidade de concentração e no humor. Alguns homens relatam perda de interesse por atividades que antes eram prazerosas, dificuldade para realizar tarefas cotidianas, redução da confiança, desânimo e maior irritabilidade. Essas mudanças podem afetar a vida profissional, os relacionamentos e a percepção que o homem tem de si mesmo. No entanto, é fundamental evitar uma conclusão precipitada.
Nem todo caso de tristeza, irritabilidade ou depressão é causado pela queda de testosterona. Da mesma forma, a reposição hormonal não substitui o acompanhamento psicológico ou psiquiátrico quando existe um transtorno mental. A avaliação conjunta pode ser necessária. O urologista investiga as condições hormonais e urológicas, enquanto profissionais de saúde mental avaliam os fatores emocionais, comportamentais e sociais envolvidos. Essa visão integrada ajuda a identificar as causas do sofrimento e permite a definição de um tratamento individualizado.
Quando procurar um urologista?
O homem deve procurar avaliação médica quando perceber alterações persistentes em sua saúde física, sexual ou emocional, especialmente quando os sintomas começam a interferir na rotina. Alguns sinais que merecem atenção são a diminuição significativa da libido, dificuldade de ereção, cansaço sem explicação, perda de massa muscular, falta de concentração e redução prolongada da disposição.
O Dr. Fernando Marsicano atua em Belo Horizonte e Contagem e possui mais de três décadas de experiência em Urologia Clínica, Andrologia e procedimentos cirúrgicos urológicos. De acordo com o site da uroprostata.com.br, o profissional já realizou cerca de 8 mil cirurgias e também trabalha com condições relacionadas à saúde masculina, ao câncer renal, ao câncer de próstata e aos tratamentos urológicos. Durante a consulta, o médico poderá solicitar exames e investigar outras possíveis causas para os sintomas. A dosagem da testosterona deve ser interpretada em conjunto com o quadro clínico. Um resultado isolado não é suficiente para confirmar a DAEM ou indicar reposição hormonal.
Reposição de testosterona exige acompanhamento médico
A testosterona não deve ser utilizada por conta própria, com finalidade estética ou somente para aumentar a disposição. A reposição hormonal é um tratamento médico e precisa de indicação adequada. A Sociedade Brasileira de Urologia alerta que o uso indiscriminado de testosterona pode provocar consequências importantes, incluindo infertilidade, trombose e complicações cardiovasculares.
Quando corretamente indicada, a terapia busca restabelecer níveis fisiológicos do hormônio e reduzir os sintomas relacionados à deficiência. O tratamento precisa ser acompanhado por consultas e exames periódicos para avaliar a resposta do organismo, ajustar as doses e monitorar possíveis efeitos adversos. A segurança depende de uma avaliação completa. Algumas pessoas podem apresentar contraindicações ou precisar de acompanhamento específico antes de iniciar o tratamento.
Cuidar do corpo também ajuda a proteger a mente
O Setembro Amarelo reforça que pedir ajuda é um gesto de coragem. Para os homens, esse cuidado também envolve romper o silêncio sobre mudanças no corpo, na vida sexual e nas emoções. Manter uma alimentação equilibrada, praticar atividade física, dormir adequadamente, reduzir o consumo de álcool, fortalecer os vínculos sociais e realizar consultas preventivas são atitudes importantes.
Entretanto, esses cuidados não substituem uma avaliação profissional quando os sintomas permanecem ou se intensificam. Reconhecer que algo não está bem é o primeiro passo. Um quadro de desânimo pode estar relacionado a fatores emocionais, hormonais, sociais ou à combinação de diferentes causas. Somente uma avaliação individualizada poderá indicar o caminho mais adequado.
Saúde mental masculina precisa ser assunto durante todo o ano
A campanha acontece em setembro, mas a prevenção deve continuar durante todos os meses. Familiares e amigos também podem ajudar, oferecendo escuta sem julgamentos e incentivando a procura por atendimento profissional. Mudanças intensas de comportamento, isolamento, desesperança, perda de interesse pela vida ou falas relacionadas à morte precisam ser levadas a sério.
Em situações de sofrimento emocional, o Centro de Valorização da Vida oferece apoio gratuito e sigiloso pelo telefone 188, disponível 24 horas. Em caso de risco imediato, deve-se procurar uma unidade de urgência ou acionar o SAMU pelo número 192. O cuidado com a saúde masculina precisa considerar corpo e mente como partes de uma mesma realidade. Investigar alterações hormonais, falar sobre sentimentos e buscar ajuda no momento certo podem contribuir para uma vida mais saudável, segura e equilibrada. Para saber mais sobre avaliação urológica e saúde masculina, acesse o uroprostata.com.br ou agende uma consulta com o Dr. Fernando Marsicano.