Geração Z Está Exagerando nos Anabolizantes: os riscos silenciosos por trás da busca pelo corpo perfeito

Fernando Marsicano 16 de Junho de 2026

A relação da Geração Z com estética, performance física e imagem corporal nunca foi tão intensa. Em meio à popularização de conteúdos fitness nas redes sociais, ao crescimento da cultura do “shape perfeito” e à pressão constante por resultados rápidos, o uso de anabolizantes entre jovens aumentou de forma preocupante nos últimos anos.

Especialistas em saúde pública, endocrinologia e medicina esportiva alertam que muitos adolescentes e adultos jovens estão utilizando substâncias hormonais sem acompanhamento médico, movidos por influenciadores digitais, desafios estéticos e promessas irreais de transformação corporal.


O problema vai além da vaidade. O uso indiscriminado de anabolizantes pode provocar danos graves ao coração, fígado, sistema hormonal e saúde mental. Em muitos casos, os efeitos colaterais aparecem de forma silenciosa e só são percebidos quando o organismo já sofreu impactos importantes. O cenário preocupa autoridades de saúde porque a Geração Z, formada principalmente por jovens nascidos entre meados de 1995 e 2010, tem acesso facilitado a informações superficiais e produtos vendidos ilegalmente pela internet.


Ao mesmo tempo em que cresce o número de academias, programas de transformação corporal e perfis fitness, também aumenta a banalização do uso de hormônios para fins estéticos. Muitos jovens passaram a enxergar anabolizantes como suplementos comuns, minimizando riscos e ignorando consequências de longo prazo. Esse comportamento vem sendo debatido por médicos, psicólogos e pesquisadores que observam uma mudança cultural importante no modo como o corpo é percebido pelas novas gerações.


O que são anabolizantes e por que seu uso aumentou entre os jovens


Os anabolizantes são substâncias derivadas da testosterona, hormônio masculino responsável por características como aumento da massa muscular, força e desempenho físico. Na medicina, esses medicamentos possuem indicações específicas e controladas, como tratamento de deficiência hormonal, algumas doenças musculares e determinadas condições clínicas. O problema surge quando essas substâncias passam a ser utilizadas sem necessidade médica, principalmente para fins estéticos.


Nos últimos anos, plataformas como TikTok, Instagram e YouTube contribuíram para normalizar o uso de hormônios entre jovens. Vídeos com transformações corporais rápidas, rotinas de treino extremas e discursos que associam músculos a sucesso e autoestima ganharam enorme alcance. Muitos influenciadores falam abertamente sobre ciclos hormonais, promovem substâncias sem comprovação científica e criam a falsa impressão de que os efeitos adversos são raros ou facilmente controláveis.


A busca por validação social também tem peso importante. A Geração Z cresceu em um ambiente digital onde aparência física frequentemente influencia popularidade, relacionamentos e até oportunidades profissionais. Isso faz com que muitos jovens sintam pressão constante para atingir padrões corporais quase impossíveis naturalmente. Nesse contexto, os anabolizantes aparecem como um “atalho” para resultados rápidos.


Outro fator relevante é o aumento da chamada “hipertrofia acelerada”, uma tendência em que pessoas extremamente jovens desejam ganhar grande volume muscular em pouco tempo. Muitos adolescentes iniciam musculação já expostos a conteúdos sobre testosterona, trembolona, oxandrolona e outras substâncias potencialmente perigosas. Em diversos casos, o primeiro contato acontece antes mesmo de uma orientação adequada sobre nutrição, treinamento ou saúde hormonal.

 

Os riscos dos anabolizantes para a saúde física


Embora muitas pessoas associem anabolizantes apenas ao aumento muscular, os efeitos no organismo podem ser profundos e perigosos. O uso inadequado interfere diretamente no funcionamento hormonal e pode comprometer praticamente todos os sistemas do corpo.


Entre os principais riscos cardiovasculares estão hipertensão arterial, aumento do colesterol ruim, redução do colesterol bom, alterações no ritmo cardíaco e maior risco de infarto. Estudos mostram que jovens usuários de esteroides anabolizantes podem apresentar envelhecimento precoce do sistema cardiovascular, mesmo sem histórico anterior de doença cardíaca.


O fígado também sofre impactos importantes, especialmente quando há uso oral de determinadas substâncias. Casos de hepatite medicamentosa, tumores hepáticos e insuficiência hepática já foram associados ao consumo prolongado de anabolizantes. Em alguns casos, os sintomas surgem apenas quando o dano já está avançado.


No sistema hormonal, os efeitos podem ser devastadores. Em homens, o organismo reduz a produção natural de testosterona, podendo causar infertilidade, diminuição dos testículos, impotência sexual e ginecomastia, que é o aumento das mamas masculinas. Em mulheres, o uso pode provocar alterações irreversíveis, como engrossamento da voz, crescimento excessivo de pelos, irregularidade menstrual e mudanças faciais permanentes.


Outro ponto frequentemente ignorado é o impacto dermatológico. Acne severa, queda de cabelo e oleosidade excessiva são efeitos comuns, principalmente em indivíduos geneticamente predispostos. Muitos jovens passam a enfrentar problemas de autoestima justamente por alterações físicas causadas pelo abuso hormonal.


Além disso, existe o risco de contaminação por produtos falsificados. O mercado ilegal de anabolizantes movimenta milhões de reais e muitos produtos vendidos pela internet não possuem controle sanitário. Algumas substâncias podem conter dosagens erradas, componentes tóxicos ou até contaminação bacteriana.


Saúde mental e anabolizantes: um problema cada vez mais evidente


Os efeitos psicológicos dos anabolizantes vêm recebendo atenção crescente da comunidade científica. Embora algumas pessoas relatem sensação inicial de confiança e energia, o uso contínuo pode desencadear alterações emocionais importantes.


Mudanças bruscas de humor, irritabilidade intensa, agressividade, ansiedade e episódios depressivos são frequentemente observados em usuários. Em situações mais graves, podem ocorrer surtos psicóticos e comportamento impulsivo. Existe ainda uma relação preocupante entre anabolizantes e dependência psicológica.


Muitos jovens desenvolvem uma percepção distorcida do próprio corpo, conhecida como vigorexia ou transtorno dismórfico muscular. Mesmo com grande volume muscular, o indivíduo continua se enxergando pequeno ou insuficientemente forte. Isso leva ao aumento progressivo das doses hormonais e à adoção de práticas cada vez mais perigosas.


A pressão estética nas redes sociais agrava esse cenário. Filtros, edições e padrões irreais fazem com que muitos jovens comparem seus corpos a imagens artificiais e inatingíveis. O resultado é uma geração mais vulnerável à insatisfação corporal e ao uso de substâncias para tentar alcançar um ideal físico imposto digitalmente.


Especialistas em saúde mental alertam que autoestima baseada exclusivamente na aparência tende a gerar sofrimento psicológico contínuo. Quando o corpo se torna a principal fonte de validação pessoal, qualquer mudança física pode provocar ansiedade intensa e perda de autoconfiança.


O papel das redes sociais na popularização dos anabolizantes


As redes sociais transformaram completamente a relação dos jovens com o corpo. Atualmente, conteúdos fitness possuem enorme alcance e frequentemente misturam informações úteis com práticas perigosas. Em muitos casos, influenciadores sem formação em saúde acabam promovendo protocolos hormonais como algo simples e seguro.


A estética hiper musculosa deixou de ser restrita ao fisiculturismo profissional e passou a fazer parte da cultura digital cotidiana. Corpos extremamente definidos são exibidos como símbolo de disciplina, sucesso e superioridade. Isso cria uma percepção distorcida sobre o que é um físico saudável e realisticamente alcançável.


Outro problema é a monetização desse conteúdo. Muitos criadores de conteúdo lucram com venda de consultorias, suplementos e até indicação indireta de substâncias hormonais. Alguns utilizam estratégias de marketing que minimizam riscos e exaltam apenas os resultados positivos.


O algoritmo das plataformas também contribui para a repetição desse tipo de conteúdo. Quando um jovem começa a consumir vídeos sobre musculação e estética corporal, passa a receber cada vez mais publicações relacionadas ao tema, criando uma espécie de bolha digital que normaliza o uso de anabolizantes.


Essa exposição contínua influencia diretamente adolescentes em fase de formação da identidade e autoestima. Sem senso crítico consolidado, muitos acabam acreditando que resultados naturais são insuficientes ou lentos demais.


O que dizem especialistas e órgãos de saúde


Médicos endocrinologistas e sociedades científicas brasileiras vêm alertando sobre o aumento do uso indiscriminado de hormônios. O Conselho Federal de Medicina possui normas específicas relacionadas à prescrição de terapias hormonais e reforça que anabolizantes não devem ser utilizados apenas para fins estéticos sem indicação clínica adequada.


A Agência Nacional de Vigilância Sanitária, a Anvisa, também mantém fiscalização sobre medicamentos hormonais e alerta para os riscos da compra irregular de substâncias pela internet. Produtos clandestinos representam ameaça importante à saúde pública.
Segundo especialistas, muitos jovens acreditam que conseguem controlar os efeitos adversos por meio de “protocolos” encontrados online, mas o organismo reage de forma individual e imprevisível. Não existe uso recreativo de anabolizantes considerado totalmente seguro.


A Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia destaca ainda que doses suprafisiológicas de testosterona podem causar alterações permanentes, principalmente quando utilizadas de forma prolongada ou sem acompanhamento profissional.


Como prevenir o abuso de anabolizantes na Geração Z


O combate ao uso abusivo de anabolizantes depende de educação, informação qualificada e fortalecimento da saúde mental dos jovens. Demonizar a busca por estética não resolve o problema. O mais importante é promover uma relação mais equilibrada com o corpo e desconstruir padrões irreais.


Famílias, escolas e profissionais de saúde possuem papel fundamental nesse processo. Conversas abertas sobre autoestima, imagem corporal e riscos hormonais podem ajudar adolescentes a desenvolver senso crítico diante do conteúdo consumido online.
Academias também precisam participar dessa conscientização. Ambientes que incentivam resultados rápidos sem responsabilidade contribuem para o problema. A promoção de hábitos saudáveis, treinamento adequado e acompanhamento profissional deve ser prioridade.


Outro ponto essencial é ampliar o acesso à informação científica acessível. Muitos jovens acabam recorrendo a influenciadores porque não encontram conteúdos médicos em linguagem simples e direta. A comunicação em saúde precisa se adaptar às novas plataformas digitais para alcançar esse público de forma eficiente.


Além disso, é importante valorizar objetivos sustentáveis. Ganho de massa muscular natural exige tempo, consistência e hábitos saudáveis, mas tende a gerar resultados mais seguros e duradouros. Alimentação equilibrada, treino adequado, sono de qualidade e acompanhamento profissional continuam sendo as estratégias mais eficazes para saúde física e estética a longo prazo.


A cultura do corpo perfeito pode custar caro


A discussão sobre anabolizantes vai muito além da academia. Ela reflete questões sociais, emocionais e culturais que afetam diretamente a Geração Z. Nunca houve tanta pressão estética, tanta comparação digital e tanta exposição corporal quanto atualmente.
O perigo está justamente na banalização. Quando substâncias potentes passam a ser vistas como ferramentas comuns de transformação física, os riscos deixam de ser percebidos com a seriedade necessária. Muitos jovens acreditam que conseguem controlar os efeitos colaterais, mas o organismo humano possui limites biológicos que nem sempre podem ser revertidos.


A construção de uma relação mais saudável com o corpo exige equilíbrio entre estética e saúde. Buscar melhor condicionamento físico é positivo, mas transformar hormônios em solução rápida pode trazer consequências permanentes.


O debate sobre anabolizantes precisa ser tratado com responsabilidade, informação científica e consciência coletiva. A geração conectada também precisa ser uma geração bem informada sobre os riscos reais por trás das promessas de resultados instantâneos.


Fontes oficiais e sites públicos brasileiros para aprofundamento

Ministério da Saúde
https://www.gov.br/saude/pt-br

Biblioteca Virtual em Saúde do Ministério da Saúde
https://bvsms.saude.gov.br

Conselho Federal de Medicina
https://portal.cfm.org.br

Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia
https://www.endocrino.org.br

 
 


Essas instituições publicam regularmente materiais educativos, notas técnicas e atualizações científicas sobre saúde hormonal, medicamentos e prevenção de riscos associados ao uso inadequado de substâncias anabolizantes.

 

Telefone: (31) 97400-5134 | Instagram: @dr.fernandomarsicano

Rua dos Otoni, 881 - sl 704 - Santa Efigênia, Belo Horizonte - MG, 30150-270

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